2016 e Chapecoense, inesquecíveis.

by - novembro 29, 2016



Sabe aqueles dias em que você acorda, mas preferia não ter acordado? Sabe aqueles dias em que você liga a internet pra checar suas redes sociais, mas se arrepende assim que as informações são atualizadas? É assim que muitas pessoas estão se sentindo hoje, é assim que eu estou me sentindo hoje. Sentei na mesa para tomar café, abri o instagram e vi uma foto do escudo da federação brasileira com o escudo da Chapecoense. Naquele momento eu soube que algo estava muito errado, eu soube que seria uma terça-feira muito ruim. Chamei meu pai, que estava assistindo um filme, perguntei a ele o que tinha acontecido, ele me olhou e disse que só sabia que a Chape não tinha chegado ao seu destino final. Trocamos de canal no mesmo instante e foi como se estivéssemos sonhando. O fato do acidente ter sido com a delegação de um time de futebol bastaria para estarmos consternados porque amamos futebol, mas quando eu soube do número de mortos e comecei a escutar com atenção o que os jornalistas estavam contando sobre a história de superação da Chape, meu coração doeu e foi impossível conter as lágrimas. A vida é um sopro. A vida é frágil e para acabar, basta ter começado. As pessoas que morreram nesse acidente não são apenas profissionais, são pais, filhos, maridos, esposas, sobrinhos, tios, avôs, primos e irmãos. Vidas preciosas que num momento estavam lá e no outro não. Eu não posso nem imaginar o que os familiares e os sobreviventes vão viver nos próximos dias. Dúvidas? Questionamentos? Incertezas? Vontade de ser outra pessoa? Tristeza profunda? Saudade?

Quem é que pode dizer que amou profundamente 2016? Que ano foi esse? 2016 veio para ser semelhante aquelas pessoas que chegam em nossas vidas determinadas a nos marcar, independente da forma. Inesquecível, essa é a palavra. Costumamos usar "inesquecível" para rotular coisas boas, mas inesquecível é algo que você não consegue esquecer por um motivo muito importante, seja ele bom ou ruim. E vamos nos lembrar que ele ainda não acabou. Vamos nos lembrar que temos que amar incessantemente as pessoas que temos porque o inesquecível pode querer atacar novamente. Que isso, Bia? Prevendo coisas ruins? Longe de mim desejar que o mundo sofra neste último mês que nos resta mais do que já sofreu! Mas temos que ser realistas, não controlamos mais nada e a cada desastre compreendemos que a ciência pode inventar tudo, menos uma fórmula que transforme a vida em algo não frágil. Como explicar o que nos pega de surpresa? Como entender que o riso se transforma em pranto em questão de segundos?

Quero crer que as pessoas que morreram estavam com Jesus, sabe? Quer crer que houve algo importante acontecendo com aquelas pessoas no momento em que o inevitável começou a dar o ar da sua graça. Quem se agarra em Jesus tem esperança. 2017 vai ser melhor? Não sei, e sinceramente, não vou colocar minhas esperanças nisso. Quero ser uma pessoa melhor em 2017. Porque eu estou vivendo 2016 até agora e se tem uma coisa que esse ano fez por mim foi me marcar e me ensinar. Então, por favor, aprendamos a ser pessoas melhores ou tudo o que nos aconteceu esse ano terá sido em vão. 

É muito bonito ver o pessoal adiando treinos, jogos e pensando em dar o título direto para a Chapecoense. Ainda há vida em nós. Ainda há amor em nós. Não podemos trazê-los de volta, mas podemos honrar a memória deles de todas as formas possíveis.

Desejo do fundo do meu coração que os familiares das vitimas encontrem consolo em Jesus. Façamos minutos de silêncio, cantemos as músicas preferidas deles e relembremos com carinho o que eles nos deixaram. Os inesquecíveis nasceram para brilhar pra sempre. #ForçaChape

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