O dia em que eu quase morri - TESTEMUNHO

by - setembro 13, 2016

Lembro-me dos bombeiros brincando e contando piadas. Achei aquilo hilário. Meu pai me explicou que aquele era o jeito deles de distrair a mente. Então, de uma hora para outra, eu fiquei muito feliz por eles estarem ali naquele momento. O nosso acidente era algo incomum na rotina deles. Não haviam mortos e ninguém ficou ferido gravemente.




Existe uma coisa que a gente precisa entender antes de dizer "EIS-ME AQUI": Prego que se destaca, obviamente é martelado. Ás vezes, o Amado vai pedir que você se abra com pessoas que você nem conhece, você vai se expor (não da maneira ridícula como muitos fazem, mas de maneira construtiva), vai perder amizades e vai ser julgado. Nossa conversa hoje será mais pessoal do que nunca. Vou contar pra você o que aconteceu dentro de mim depois que eu saí viva daquele acidente.

Quando meu pai foi consagrado a pastor pelos pastores do CONIP, eu perdi meu chão. Eu levava uma vida ótima, fazia parte de um grande conjunto de jovens, um grande mistério, cantava lá uma vez ou outra e tinha o minimo de responsabilidades possível. Era a vidinha perfeita, se é que você me entende. Com o início de um novo ministério, uma nova igreja, eu teria que fazer sacrifícios, ser a filha do pastor e ensinar um bocado de coisas para um monte de gente. E você acha que eu queria isso? Você acha que fazia parte dos meus planos sair da minha vidinha confortável? Você acha que eu estava disposta a colaborar com o ministério do meu pai?
 Acredito que você já pode imaginar o quão difícil eu tornei a vida do meu pai, não é mesmo? Mas até aí as coisas caminharam porque se tem uma coisa que nunca me faltou foi o temor. Então, lá estava eu, cantando dez músicas em cada culto, sendo porteira. me achando a pior pessoa do mundo e etc.. Como se já não bastasse, meu pai abriu um trabalho em um lugar muito distante da minha realidade. A igreja era toda feita de telha e não havia um só lugar em que os maribondos não estivessem. Nós levávamos roupas e comida para distribuir para o pessoal e eu ficava a maior parte do tempo dentro do carro perguntando a Deus o que é que eu tinha feito para merecer aquilo.

Num domingo, meu pai foi convidado para pregar em um culto de jovens em um lugar perto dali. O culto foi realizado no período da tarde, o plano do meu pai era nos levar até Iguaba Grande para fazermos o culto de lá e voltar para a igreja do Araçá (feita de telha) sozinho. Pegamos a estrada de chão e sim, meu pai estava correndo um pouquinho. Lembro que eu tinha ido chateada (novidade) para o culto da tarde porque era aniversário de uma das minhas melhores amigas e ela havia me convidado para passar o dia na casa dela. Minha tristeza foi embora durante o culto e na volta pra casa eu deitei no ombro da minha mãe e dormi. Quando eu acordei só deu tempo de gritar. O carro estava simplesmente caindo da ponte. Haviam cinco pessoas no carro: meus pais, eu, meu irmão caçula e meu primo. As rodas do carro ficaram viradas para o alto como se o automóvel fosse um brinquedo nas mãos de uma criança. Em questão de segundos, nós cinco saímos vivos, pelas janelas do carro. Subimos o barranco que dava acesso a estrada, sentamos no canto da rua e choramos. 

Algumas pessoas passaram por nós, mas apenas um senhor parou o carro. Não quero dar muita ênfase a esse senhor, mas Jesus diz que eu tenho que amá-lo. Vou resumir as falas dele: "Alguém morreu?", "Não acredito que vocês conseguiram sair desse carro!", "Posso ligar para o bombeiro", " Não posso levar vocês no meu carro, vocês vão sujar o meu carro."  Depois dessa última fala, meu pai disse que ele podia ir embora e o abençoou. Minha reação seria outra, mas vamos esquecer  a minha reação.
Os minutos em que ficamos esperando o Corpo de Bombeiros chegar foram angustiantes. Meu braço formigava por conta da queda e meu corpo estava cheio de sangue por causa dos vidros e cheio de lama do local onde caímos. Quando o primeiro carro dos bombeiros parou perto de nós, a primeira coisa que eu escutei foi "É UMA FAMÍLIA INTEIRA, RAPAZ!", a segunda foi "TEM GENTE LÁ AINDA?"

Eles demoraram a acreditar que ninguém havia morrido. Nem eu estava acreditando.

Quando um dos bombeiros me levou para a ambulância, começou a me fazer perguntas e limpar meu rosto. E do nada, começou a rir. Minha vontade era de socar a cara dele. Então, ele fez a seguinte pergunta: "Vocês estavam vindo da igreja, né? Estavam trabalhando pra Papai?"  Respondi que sim e sorri também. Ele entendia. A última coisa que ele me disse foi: "Fica tranquila. Vocês são dele! Olha aquele carro! Ele tirou vocês vivos de lá."

Nenhuma das pessoas que estavam naquele carro ficou internadas ou se feriu gravemente. Dentro de alguns dias estávamos todos bem fisicamente. Nascemos de novo. 
Eu nasci de novo. A partir daquele dia eu comecei a dar mais valor para a vida que há em mim. Se o ministério pastoral do meu pai não existisse, o meu não existiria. Eu jamais viveria os momentos que eu vivo se Deus não tivesse permitido aquele acidente. Nós não paramos depois daquilo, assim como Jó não negou a Deus depois que perdeu tudo em sua vida. Existem vidas que dependem do seu chamado. Não é fácil, mas é divino. Até hoje eu ainda não consigo olhar as fotos do carro em que estávamos naquele dia, ficou completamente destruído. Pelo que eu sei um monte de fatores cooperaram para que o carro caísse da ponte: a velocidade, o pneu e o freio que falhou. Todo mundo pergunta quantas pessoas morreram naquele acidente quando se deparam com o carro.

 Eu só sei dizer que uma pessoa nasceu naquele dia. Nasci para um tempo em que eu conheceria Jesus de verdade. Filho de crente não é crentinho. Jesus é meu, não porque ele é do meu pai ou da minha mãe, mas porque ele é meu e é assim que tem que ser. Não espere seu mundo virar de cabeça para baixo pra você entender que o melhor é participar dos sonhos de Deus. Ele não te obriga a nada, assim como Ele nunca obrigou Adão a nada, mas ele te deixa livre para viver as consequências das suas escolhas. Ele continuou me amando mesmo com todas as minhas chatices e desobediência, Ele me molda todos os dias porque o meu caráter tem que ser igual ao Dele. Eu continuo sendo ninguém para o mundo, mas sou reconhecida por Ele. E é isso que importa. Importa que eu entenda as lições que ele me ensina a cada luta e a cada momento de silêncio. Eu não canto em lugares badalados, não prego em igrejas suntuosas e minhas músicas só são conhecidas na minha igreja, mas enquanto ele for meu alvo está tudo bem. O evangelho não existe para enriquecer pessoas, e sim para transformar pessoas. Jesus me ama a ponto de quase me deixar morrer. Aprendi isso no duro. No dia em que eu quase morri.
Perdoem as frases desconexas. Ele queria muito que eu escreve isso, de qualquer jeito. Amem muito!



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